Maravilhoso mundo virtual? Pensando sobre a tecnologia e a infância


É fato que não podemos alienar nossos filhos no que diz respeito às tecnologias, mas se passam a maior parte do tempo em frente a uma telinha, ou se só conseguem “parar” mediante a esse estímulo, cuidado! É hora de pensar sobre alguns pontos importantes: 




SEU FILHO TEM MATURIDADE PARA LIDAR COM UM MUNDO SEM FRONTEIRAS?


Você deixaria o seu filho ter acesso a todo e qualquer tipo de informação? Muitos pais, a priori, podem até pensar que sim, acreditando que isso poderia ser importante para o crescimento da criança. A questão é que informações são muito importantes, mas elas precisam acompanhar o desenvolvimento cognitivo. O acesso precoce e excessivo não desenvolve, mas bloqueia aspectos saudáveis da psique infantil. E o que muitas vezes esquecemos é que o mundo virtual pode ser muito encantador e enganador.

Nesse universo, não existe absolutamente nenhuma fronteira entre quais informações podem, ou não, ser disseminadas. O acesso a conteúdos ilegais, inverídicos, impróprios, ou simplesmente nada educativos está a um clique de distância. Basta uma saída dos pais para os dedinhos percorrerem as opções do Youtube, Google, Netflix, redes sociais e uma coisa sair ligando a outra até, sem muito esforço, a criança esbarrar em tais conteúdos.



NÃO CONSEGUIMOS SUPERVISIONAR O TEMPO TODO 


Por mais atencioso e presente que os pais sejam, muito provavelmente irão acompanhar uma pequena porcentagem do que seu filho está absorvendo durante a infância.

As informações estão por todos os lados - escola, colegas, família, tecnologias. Tudo é muito rápido e a criança é como uma esponjinha. Por isso, o seu olhar é tão importante em qualquer fase da vida de seu filho. Mas é na primeira infância, no entanto, que ele estará reunindo em si a estrutura de sua personalidade, o centro de comando que irá incidir por toda sua vida. Por isso, quanto mais você, como responsável, conseguir gerenciar o tempo e a qualidade do acesso, melhor! Evite que a criança fique no quarto ou em algum ambiente mais restrito com o tablet, a televisão ou o celular. O acesso a estes deve ser na sala, na presença de todos!




ONDE MEU FILHO APRENDEU ISSO?

A primeira pergunta que faço é quem são as referências dos seus filhos? Sobre quem eles falam? Em quem eles se espelham? Atenção pais! É certo que vocês já perceberam que, na atualidade, o lugar indestronável dos pais tem dado espaço a outras figuras. Em escolas, no consultório e por onde ando, é possível observar claramente como as crianças estão reproduzindo os conteúdos virtuais, estamos na era dos youtubers, das influências digitais, da sede incansável pela popularidade. As crianças se vestem como eles, falam como eles, pensam como eles, querem ser eles. E vocês, pais, de repente passam a ser sem graça e fora do padrão.

Mas o que fazer? O primeiro passo é reparar em novas palavras, gírias, nomes de pessoas e procurar saber de onde eles vêm. Se seu filho quer muito assistir a um programa, filme, série, ou vídeo, e você avalia que ele não está pronto para pensar criticamente sozinho, vale a pena que essa atividade seja feita com vocês, assim, terão a oportunidade de explicar os valores familiares e construir, no seu filho, um juízo crítico que o ajudará a filtrar melhor as informações que inevitavelmente ele irá receber por toda sua vida.




A TENDÊNCIA É PIORAR


Quanto mais tempo seu filho passa com acesso à tecnologia, mais tempo ele vai querer, dia após dia. E mais difícil será para ele lidar com outro tipo de atividade. Mais difícil será para ele se concentrar, ler, criar, e aprender.

Qualquer coisa que envolva menos estímulo atrativo, ludicidade e demande um pouco mais de esforço já será demais para ele – quem se identifica? -. É o que, por exemplo, mais se observa nas escolas. As crianças, hoje, já aprendem, desde pequenos, na TV, os números, as cores, e até algumas palavras em inglês. É algo fantástico. E quando entram no berçário e/ou na Educação Infantil, mostram grandes avanços e até conseguem desenvolver sua atenção com toda a ludicidade inerente ao currículo escolar dessa faixa etária. Mas nem tudo na escola é brincadeira e à medida que vai se aproximando da alfabetização, vamos começando a perceber mais claramente a angústia de algumas crianças em olhar tantas letras e números e ter que raciocinar sobre eles.

A criança aprende por repetição, e quanto mais acesso a determinado conteúdo, mais fortes serão as conexões cerebrais referentes a essa informação. Se a maior parte dos conteúdos que seu filho absorveu foi, por exemplo, na televisão, imagine que estes foram internalizados de uma forma predominantemente passiva, e extremamente apelativa aos estímulos sensoriais, o que não podemos dizer de uma atividade preta e branca de português ou matemática, não é mesmo? Por isso tanta angústia! O cérebro do seu filho pode não ter sido condicionado, desde pequeno, ao raciocínio lógico, ao pensamento dedutivo, à criatividade! A simples introdução de uma rotina que envolva jogos educativos, momentos de leitura - em que toda família participe como algo natural - responsabilidade progressiva da criança sobre seu espaço, ou simplesmente um momento silencioso na casa - que provavelmente seu filho considerará entediante - pode ajuda-lo com a concentração, diminuir a ansiedade e obriga-lo a encontrar novas alternativas para lidar com seu tempo. É isso mesmo! Acredite: o tédio é importante, pois permite a criatividade; e a frustração gera aprendizagem.

Lembre-se: você é um grande exemplo! Use a sua liberdade, a sua imaginação, a sua criatividade, invente, tente, repense. Seus filhos podem ser um canal com a sua infância. As obrigações podem esperar as poucas horas que eles estão em sua companhia. Os momentos que ficarão gravados para sempre na memória deles serão os tempos de qualidades, os sorrisos, as brincadeiras, os carinhos. Essa sim é a fórmula de uma infância feliz!


Kêmile Tomé - Psicóloga Clínica e Escolar, com formação em Ludoterapia, Pedagogia Empresarial. Especialista em Psicanálise Clinica, Avaliação Psicológica.
Instagram: @psikemiletome
Telefone: (84) 99829 0894

*Esse texto foi elaborado a partir de estudos, observações, e atuação profissional com crianças e pais em contexto clínico e de aprendizagem. 

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