Use as suas dores como quiser



Esses dias estava aconselhando uma amiga quando, de repente, parei e por uns instantes refleti sobre minhas próprias dores e aonde elas me fizeram chegar.

Nós temos aquela velha mania de cultivar as nossas dores e domesticá-las, por algum motivo, nos acostumamos a viver com algumas dores como se elas fossem parte de nós e não as deixamos ir.

Inicialmente, me pareceu absurdo pensar assim, porque ouvi tanto que somos frutos da nossa história que pensava que as dores eram consequências dessas histórias vividas. Mas, não. Ninguém deveria viver para guardar e cultivar dores, mas para usá-las para um fim.

Muitas vezes as palavras "você não vai dar em nada", "não vai ser ninguém na vida", "você faz tudo errado", ecoam na nossa mente e, inconscientemente, elas nos assombram, nos paralisam, nos arrancam lágrimas e rasgam a nossa alma. O que mais dói é que, normalmente, elas são proferidas por pessoas que amamos e deveriam nos proteger ao invés de machucar.

Outras vezes somos feridos por relacionamentos, aqueles tipos de amores que até nos fizeram bem por algum tempo, mas depois nos feriram tão profundamente que nos tiraram o ar, foram como furacões que tiraram tudo do lugar e fizeram uma grande bagunça dentro de nós.

Mas, uma vez ferido, o que você pode fazer com a sua dor? O que você quiser! A responsabilidade sobre como lidar com a dor é sua.

Nesse momento, você pode escolher sentar, chorar, sofrer, regar e cultivar a sua dor, pode visualiza-la como se fosse uma plantinha que necessita das suas lágrimas para sobreviver e que você não quer deixar morrer porque inconscientemente acha que não conseguiria viver sem ela, pode esconder a sua dor no baú das emoções e deixa-lá te visitar esporadicamente, ou pode escolher, definitivamente, encarar as suas dores e torná-las sua motivação de alcançar grandes feitos.

Não terceirize a responsabilidade do seu sofrimento, mesmo que outras pessoas tenham te ferido você é o único responsável pelas suas escolhas e pelas consequências das suas atitudes.

O "dar certo na vida" para uns, nem sempre vai significar o mesmo para você e isso não deveria importar para ninguém. Se você escolheu pegar todas as suas economias e viajar, se decidiu que casamento só depois dos trinta ou nunca casar, se preferiu abandonar a sua profissão para fazer outra coisa mesmo quando todos ao seu redor achavam uma loucura, se adotou um cachorro, se fechou a porta para aquele relacionamento que te inferiorizava, fez uma tatuagem, cortou os cabelos, ou se, de repente, largou tudo para fazer trabalhos sociais em países de terceiro mundo ou se está nesse momento quebrando padrões e seguindo com consciência aquilo que te faz feliz, porque se importar com a opinião alheia?

Tenho pra mim que a felicidade não é um sentimento constante que anda em linha reta, parece mais uma montanha russa, as vezes estamos no alto e ela chega emocionante e nos arranca um belo frio na barriga, outras vezes estamos na subida, ela vai lentamente trazendo aquela sensação de medo e ansiedade, até que chega ao topo e desce novamente. Particularmente, não conheço alguém que seja feliz na totalidade do tempo, nem feliz como as redes sociais demonstram, onde todo mundo é bem sucedido, sem feridas, sem dores e sem problemas. Acredito que a felicidade é mais uma expressão diária de gratidão por quem somos e quem nos tornamos, não tem a ver com aquilo que conquistamos, mas com quem conquistamos ao longo da jornada.

Não deixe que as suas feridas te aprisionem na vida que você planejou por influencia das suas dores, use a liberdade a seu favor e viva a vida que está esperando por você.


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