Emagrecimento: valorizando os processos. Por Raquel Montalvão



Sim, eu já emagreci quase 15kg desde o meu maior peso até hoje. Em 2014, me vi em um cenário que ameaçava minha saúde e destruía minha autoestima. Mas, não vim aqui apenas falar de como emagreci, e sim dos vários PROCESSOS envolvidos nessa jornada e o quanto aprendi com eles.

2014 x 2018
“O fim de uma coisa vale mais do que o seu começo. A pessoa paciente é melhor do que a orgulhosa.”
‭‭Eclesiastes‬ ‭7:8

Não foi à toa que Salomão ficou conhecido como alguém muito sábio. Conclusões aparentemente tão simples como as desse versículo falam muito e profundamente sobre os processos da nossa vida.

A gente adora resultados. Mas eles são frutos de processos diversos. Alguns bem trabalhosos. Exigem paciência, espera, esforço, fé. E tem sido assim na minha trajetória de vida. Sucessões de processos, idas e vindas, levanta, cai, tropeça, estica, puxa e vai.

Por muito tempo minha autoimagem foi bem distorcida. Cresci sentindo a necessidade de ser bonita pra ser aceita. Bonita: magra, alta, cheia de curvas, garota de Ipanema, padrão passarela, surreal, inalcançável.

Felizmente isso foi mudando ao longo dos anos, ouvi e vi muitas histórias, compreendi meu corpo, minha genética, e decidi aceitá-lo como ele era. Porém, não como ele estava. 



Minha relação com a comida e com a atividade física sempre foi nociva. A comida era mais que uma fonte de nutrição. Era fonte de prazer rápido e de fácil acesso. O exercício/atividade física não fazia parte da cultura da minha criação, nem me gerava prazer, sim o contrário. Eu sequer me sentia capaz de ser boa em qualquer coisa que remetia ao esporte.

Foi então que percebi que precisava desconstruir diversos conceitos errados e preconceitos que estavam implantados na minha mente há muitos e muitos anos. Precisei sondar minha alma e encontrar lá no fundo aquela garra e determinação que me fariam sair da zona de conforto em busca de novos ideais.

Aos 16 anos me propus a fazer minha primeira “dieta” lutando contra um insistente sobrepeso. Fui a um endocrinologista que me lançou a sentença de seguir o rumo de obesidade da família caso eu não mudasse meus hábitos.



Começou então uma maratona de exercícios e dieta e perdi meus primeiros incríveis 11 kg (pesava 69kg, cheguei em 3 meses a 58kg, medindo 1,70). Nem sei dizer quanto tempo os resultados duraram, mas não foi muito tempo. Minha alegria durou pouco. Foi minha primeira grande lição sobre constância.

Mudei meus hábitos por três meses então “cansei”... voltei a comer as coisas que sempre gostei, que sempre tive costume. Meu leite com Nescau, meus pães com presunto e queijo, além de não comer quase nenhuma verdura ou fruta. Além disso as caminhadas perderam a regularidade e voltei para o sofá.

Mal sabia eu que estava começando ali o festival de oscilações de peso, entra e sai de academias, da minha vida. O tempo foi passando e a somatória dos fatores genéticos e ambientais/comportamentais só me faziam perder o controle. Cheguei a ganhar 20kg sem quase perceber, envolvida na minha vida de estudos e sedentarismo, fast-food e comidas processadas. Eu, que achava aos 16 anos 69kg muita coisa, me vi aos 26 anos pesando 86kg.

As consequências de uma vida tão desregrada no quesito alimentação e sedentária foram chegando. Eu me sentia cansada com mais frequência. Ao final do dia minhas pernas ficavam bem inchadas. Sentia dores lombares. Além de tudo minha autoestima estava cada vez menor. Motivo pelo qual tenho pouquíssimas fotos dessa fase.

Meu esposo e eu nos unimos em 2014 no objetivo de termos um novo estilo de vida. Rotinas que pudéssemos incorporar e perpetuar até na criação dos nossos futuros filhos. Buscamos orientação nutricional, entramos mais uma vez em academias e em três meses mais uma vez os resultados foram muito animadores. Perdi mais de 10kg! Ele também (que depois de casar comigo ganhou bons kg)!!

Posso dizer que 2014 foi o primeiro marco dessa trajetória. Eu que já tinha oscilado tanto nesse ganha e perde de peso comecei a finalmente entender e aceitar que não seria uma dieta que iria mudar minha vida. Mas minha vida precisava mudar por completo. Eu não poderia ter os mesmos hábitos, eu não poderia comer o que sempre comi ou fazer o que sempre fiz se o resultado que eu queria era a minha saúde e bem estar, se eu queria realmente ver as coisas se transformarem em mim.

Aos poucos incorporamos coisas novas no nosso dia a dia. Às vezes eu me irritava porque parecia bem mais fácil pra ele, no entanto, decidi olhar pra mim, entender meu próprio ritmo, enxergar meus limites e começar a desafia-los e quebrá-los.

Eu me consolei com comida por muito tempo. Eventualmente ainda o faço mas hoje de maneira bem mais consciente. Não sou favorável a dietas extremadas por longos períodos. O equilíbrio sempre foi segredo de sucesso em tantas áreas da vida, não seria diferente quando se trata de hábitos de vida , alimentação e saúde.

Decidi com meu esposo que deveríamos investir em nossa saúde. Busquei ajuda profissional novamente e consegui a indicação de uma amiga para uma Personal de corrida, no auge dos meus 30 anos, meu novo projeto era conseguir correr.

Foram 4 meses de treinos e muito esforço. Eu treinava duas vezes por semana depois de 8h de trabalho. Era comum chorar no meio de alguns treinos sentindo uma mescla de exaustão e frustração por me ver tão limitada e longe do meu objetivo.

Correr 1 km sem parar parecia façanha de poucos privilegiados. Eu achava tão difícil e às vezes pensava que não conseguiria. Mas insistir era o meu lema. Me tornei então uma soma de tentativas, uma teimosia em pessoa. Aliás, isso já vinha fazendo parte da minha vida - Insistente em muitas coisas.

Cada queda que me abalou também me fez ir em frente e tentar de novo, levantar, sacudir a poeira e tentar de novo e de novo.

Os resultados começaram a vir. Eu sabia que ter uma ajuda profissional fazia total diferença, mas também precisava trilhar meu caminho com força própria. No meio dessa busca descobri uma lesão lombar que me trazia dores incapacitantes. Uma ressonância e avaliação de um ortopedista especialista em coluna me trouxe a grande frustração de não poder correr por um tempo. Mas, fui sabiamente orientada a manter os exercícios, fugindo do impacto que maltratava minha região lombar. Conheci o pilates, comecei a praticar aulas de spinning e em mais ou menos 5 meses do meu projeto correr fiz meu primeiro km! Parecia um sonho.

Eu poderia escrever um livro destrinchando quantas coisas analisei e aprendi e re-signifiquei na minha vida ao longo desses processos, porque foram muitas … e, em uma postagem, não vai caber tantos detalhes. Então colocarei em alguns tópicos as lições que considero mais importantes e que podem ser úteis pra quem deseja incorporar novas mudanças e transformá-las em hábitos de vida:


  • Procure sempre ajuda profissional - médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos, etc. As causas para uma mudança não darem certo podem ir além de causas meramente físicas, normalmente envolvem também entraves emocionais difíceis de acessar;
  • Eleja prioridades mas nunca esqueça, sua saúde determina o sucesso de todos os seus demais projetos. Sem saúde as coisas ficam bem mais difíceis.
  • Não compartilhe seus projetos com qualquer pessoa - não faça de novas metas um outdoor - isso gera expectativas em você e nos outros e pode atrair a atenção de quem não se importa com o seu sucesso.
  • Não desista por ter fracassado uma ou muitas vezes, nem tenha tanta pressa; hábito se constrói ao longo de meses ou anos, também leva tempo para desconstruir e reconstruir; 
  • enquanto nossas desculpas forem maiores que o nosso objetivo não alcançaremos o que buscamos
  • Cada corpo é um corpo, cada genética uma genética, extraia o melhor de si, mas não busque padrões fora dos quais você nasceu, isso pode frustrar mais do que ajudar.
  • Cada corpo, independente do desenho genético, pode ser explorado em exercícios e ganhar proporções saudáveis sem necessariamente deixar todo mundo igual a “Barbie “ ou bonecos “ken” - esses padrões bonitinhos ou de passarela frustram muitas pessoas que não conseguem atingi-los e não são sinônimo de saúde, não necessariamente.
  • Todo tempo de preparação não é tempo perdido (isso se aplica a muitas coisas)
  • Cair e fracassar são parte das conquistas
  • Levantar e persistir também é um valioso exercício 
  • Toda mudança mexe em áreas que nos incomodam, nos tiram da tal zona de conforto
  • Permitir-se mudar revela características que conhecíamos pouco em nós mesmos, uma verdadeira jornada de auto-conhecimento; Descobrimos gostos e habilidades antes inexplorados
  • A vida tem ciclos, precisamos extrair de cada um deles o melhor que eles têm a oferecer
  • Estar bem consigo hoje independente do peso ou da imagem que se projeta ante a um espelho é um dever, é auto-respeito e amor próprio, isso não implica em comodismo ou desistência.
  • Não existe milagre, toda boa colheita vem de esforço, calos nas mãos, suor.
  • o exercício e alimentação saudáveis devem ser encarados desde a mais tenra idade até a velhice, ou seja, sempre; o ser humano não foi feito pra ficar parado
  • Adapte seus objetivos quando eles não seguirem o curso ideal. Exemplo? Não pode pagar academia? Vá a rua? Não pode ir a rua? Coloque aulas de dança ou exercícios na Tv! Sejamos criativos.
  • Pensamento positivo atrai atitudes positivas
  • Ande com quem te motiva e motive quem está a sua volta
  • Não seja radical demais, nenhuma medida radical tem força o bastante pra durar e se tornar um hábito saudável 
  • Siga exemplos de quem te inspira 
  • Estabeleça pequenas metas e depois aumente as metas
  • Se dê recompensas de vez em quando mas não se sabote 
  • Comer é bom, mas não se deixar dominar pelo que comemos é melhor ainda
  • Trabalhar o corpo transforma a mente
  • Saúde é um dos maiores presentes de Deus para nós! Se você tem não a desperdice, se você está a perdendo, dê atenção a ela.
  • Acredite em si, exercite pensamentos que combinem com a fé no seu potencial.

Enfim, sou bem consciente que estou apenas em processo, um processo contínuo de mudanças e incorporação de novos hábitos. Toda vez que fraquejo é comum querer voltar ao que me dominava antes. Contudo, eu sei que o preço do regresso é alto e luto para não regredir.

Sou consciente que a vida reserva diferentes ciclos e momentos para todos nós e sempre que posso busco me preparar para eles. E ainda que eu tenha que parar ou reduzir o ritmo, nunca mais será da mesma forma. O que aprendi e tenho aprendido não pretendo mais abandonar.

Viver uma longa vida com saúde é o meu objetivo, se Deus quiser e assim permitir, e convoco quem quiser a vir comigo, temos muito a aprender, muitas boas trocas a fazer!



Desistir não é opção. E se um dia eu cair sei que poderei levantar de novo, com a ajuda de Deus e de muitas mãos amigas.


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