Você é diferente

Você é diferente.

Não diferente ao ponto de não reconhecer quando uma palavra vem com o intuito de discriminar e ofender. Não diferente ao ponto de não ser sensível.

Quando meu esposo me conheceu, estávamos bem no início do namoro, e aí ele me disse isso: você é diferente. Engraçado. Na época me senti especial, como uma joia destacada em meio à uma multidão. A frase veio com carinho, recheada de amor.

Em outra época, ouvi a mesma palavra usada em meio à uma discussão por alguém próximo: - Você é diferente. Dessa vez não teve a mesma beleza. Na verdade, mais se assemelhou à um punhal. Aquela frase não me fazia bonita, me fazia imperfeita. Ela me segregava e me separava dos demais. Um erro na linha de produção, uma peça defeituosa. Ela me fazia não me sentir parte do grupo, como alguém que fala outra língua, dança outra música, gira em outra rotação, alguém intruso. Resultado: cai num choro de soluçar.

Ambas as afirmações se referiram ao meu jeito de ser e agir, não à aparência. (Eu também já disse à uma pessoa que ela era diferente e espero que ela tenha ouvido como um elogio.)

Graças a Deus o mundo não é feito de pessoas iguais a mim! Graças a Deus!!!!!!!!!!!!! Que chato seria se todos fossem iguais a mim ou a qualquer outro modelo de pessoa. A riqueza e beleza do mundo está na sua variedade, pluralidade (pra ser mais moderna).

Mas não. Não sabemos lidar com o que é diferente. Estamos sempre buscando o padrão e sempre dizendo e agindo de forma desagradável com quem é diferente. Sempre querendo taxar as pessoas e enquadrá-las em definições que elas não tem.

Eu gosto de falar mas diferente de algumas pessoas eu tenho os meus "momentos matraca". Falo até dar sono. Porém, alguns já vem com a taxação "Ruth é calada". E assim, eu mesma cometo o mesmo erro com outras pessoas. Por que somos assim, hein?

Hoje, com a Internet aí dando voz a todo mundo, acabamos descobrindo o que muitos sofreram em silêncio. Compartilhamos e descobrimos dilemas em comum uns com os outros. E que bom que temos essa oportunidade de reflexão.

Mas ainda temos uma longa estrada pra percorrer no respeito ao diferente. E não só no respeito, na consideração e prazer e admiração pelo que não é igual a nós ou ao que consideramos normal.

Que você e eu possamos usar essa palavra com cuidado, sem fazer discriminação, sem gerar um complexo de inferioridade em alguém. As palavras tem realmente poder, de levantar e de abater. De curar e de matar. Que nossa boca seja manancial de vida e não de tristeza e dor.

Beijos,

Fique com Deus

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